Unitermos: Pai. Relações Pai-Filho. Relações Familiares. Família
Por;Jorge A. Barbosa
Esse artigo tem
como objetivo entender as relações no interior da família e a instituição
casamento frente à perspectiva da mudança de século, que envolve a percepção
das transformações ocorrentes na sociedade pós-moderna, sejam elas de caráter
econômico, social ou psicológico.
A onde erramos? Onde falhamos, porque nos perdermos tanto de
vista, esta é a pergunta que caberia a todo pai e mãe do século XXI, filhos (a)
tão diferentes do que fomos, filhos (a) tão egocêntricos, meticulosos, pobres
de caráter e acima de tudo, tão frágeis de personalidade que não conseguem nem mesmo responder pelos
seus erros, vivem descartando a importância dos pais, anulando-se do circulo
familiar, trocando por amizades de toda natureza, a mais comum, amizades virtuais do mundo cibernético
organizado, mais na hora do vamos ver,
são os primeiros a correr para o aprisco seguro da família, é dizer meu pai
resolve.
Um conceito
central na teoria winnicottiana é o de holding ou cuidado materno. Nele o autor
enfatiza a importância da mãe (e da família) como modelos de transição para a
entrada do indivíduo num círculo social imediato e ir caminhando para círculos
cada vez mais amplos, como a política, a religião e a própria sociedade.
Assim nos vem a falsa
sensação de ao vez de estarmos sendo amados como pai que somos, na verdade nos
sentimos usados para que por nossos esforços venhamos a promover o bem estar da
prole que por nos veio ao mundo, mais em nenhum momento serão nossos, crescem e
desenvolvem-se para seus próprios interesses, anulam-se da satisfação familiar,
e criam seus próprios universos mesmo que desta forma estejam gerando um
universo de frustrações tornando-se no futuro bem próximo, colecionadores de
derrotas.
Vivemos numa sociedade onde
tudo se processa num ritmo rápido e alucinante, com ênfase no visual e sonoro,
e onde o hábitat silencioso é um fato do passado. A cultura do descartável,
impulsionada pela máxima do consumismo, passa a ser um modelo que também
influenciará os relacionamentos.
Seria por isso que os filhos
perderam a ideia e conceito de filhos, e pais perderam-se tanto na tarefa de
ser pai? O que nos falta, ou o que falta a esta sociedade para que possa
elaborar planos de sobrevivência mais robustos e concretos capazes de preservar
a existência dos bons costumes, criando gente, ao vez de cascas vazias iguais
temos visto.
Que formula milagrosa existiria
capaz de renovar a vida que morre, de ressuscitar sonhos ou de trazer de volta uma
geração sadia fundamentada no amor, na importância da vida familiar, onde todos
os indivíduos de núcleo vencem suas lutas e desafios juntos?
Poderíamos dar algumas
respostas da aquilo que acho, mais o importante não é meu diagnostico sobre o
assunto, nem minha opinião sobre tal, importante é que sejamos levados ao
dialogo e acima de tudo a reflexão, vendo ate que ponto já fomos afetados por
este mal, ou se não, que modelo de conceito trabalhamos no meio familiar que
tem sido forte suficiente para preservarmos o nosso maior patrimônio.
Ao longo da história, a
família ocupou diferentes funções na sociedade. Desde os primórdios, tendo como
função básica a manutenção da riqueza e da propriedade, passando pela
interferência dos dogmas religiosos, como a indissolubilidade do casamento, no
cristianismo, até a inclusão da perspectiva amorosa com a escolha dos
parceiros, a família vem sendo um refúgio para um mundo sem coração nas
sociedades capitalistas.
Mais hoje, no que se tornou
a família, o fardo, ou a benção? Qual a importância dela, ou deste contexto, devemos
entender que, se não conseguimos apontar a importância individual de cada componente
do grupo (A família) não saberíamos também apontar com exatidão valor do todo.
O homem se torna frágil
perante uma sociedade competitiva e estressante, na qual vai se lhe tornando
cada vez mais difícil desempenhar o papel de provedor da família, e não somente
pela disputa da mulher no espaço externo ao lar, mais acima de tudo por ser
deletado de sua devida importância neste século pós-moderno.
Faltaria amor, Disciplina? Ora,
mais não seria correto, a meu ver se ter respeito ou o fato de se ter amor por alguém,
vem de forma gratuita, jamais funcionaria
vindo pela imposição, o amor é natural, não existe como forçar a alguém a amar,
da mesma forma o respeito, jamais existiria pela força do braço, estes
sentimentos crescem no coração humano quando
se é reconhecido a importância do ser amado.
Esta matéria não é
conclusiva, ela é uma reflexão, logo que alguém ler, será arremetido para suas lembranças,
e acima de tudo a um questionamento sobre os danos já causado a família e de
que forma existira uma reação a fim de recuperar-se em meio a todo este efeito
devastador que vem matando a família e sua historia na sociedade considerada pós-moderna.
Finalizando esta crônica trago-me
a mente a dissertação deste gênio da literatura Brasileira (Mário Quintana)
Por acaso, surpreendo-me no
espelho: que é esse Que me olha e é tão mais velho do que eu? Porém, teu
rosto... é cada vez menos estranho... Meu Deus, meu Deus... Parece Meu velho
pai – que já morreu! Como pude ficarmos assim? Nosso olhar – duro – interroga:
“O que fizeste de mim ?” Eu, pai? Tu é que me invadiste, Lentamente, ruga a
ruga... Que importa!? Eu sou ainda Aquele mesmo menino teimoso de sempre E teus
planos enfim lá se foram por terra. Mas sei que vi, um dia – a longa, a inútil
guerra! Vi sorrir, nestes cansados olhos, um orgulho triste... (Mário Quintana)