Por Jorge A. Barbosa
Não seria verdade se não fosse
este povo, que chamados foram por Deus de
nordestinos, povo forte e decidido, guerreiros rústicos que enfrenta o sol e a falta
de chuva sem reclamar, que supera calado o preconceito de ainda ser visto como um
povo sem dentes, não seriamos nos se nossos sonhos não fosse o maior deles apenas
um ano de chuva e colheita farta, não seriamos nos, se não fosse nossa maior habilidade
o trabalho, e nossa maior devoção a vida, a mãe natureza e seus encantos.
O Nordeste que sobrevive da
luta diária pelo direito a vida, que rasga o véu da ignorância humana quando o
diminui sem nenhum fundamento obvio que a faca menor entre outros estados, nordeste
guerreiro que se supera na espera eterna de criar seus próprios representantes,
daqueles que o decepciona ajuntando-se aos bandos dos sem pátria, o nordeste
que paga pelo abandono daqueles que supostamente existem para representá-los.
Desde o inicio, os coronéis
nos condenaram ao medo, e nos privaram do direito ao saber, assim aprendemos a
contar com os legumes e frutas, resultados do ardo trabalho braçal, e
descobrimos as letras nos versos da fé que celebramos arrastando nos folhetos da
novena catada no terreiro do vizinho, criamos a arte do cordel, um livrinho
pequeno, mais que levou ao mundo nosso grito em versos e poesias, nos superamos
com graça, e assim vencemos o chicote que nos oprimia, o que nos falta ainda
vencer a seca resultado da falta de competência dos doutores, que mesmo com
toda sua leitura nunca imaginaram que um dia o precioso líquido acabanaria.
Preocuparam-se tanto em ter,
que se esqueceram de ser, nossa historia mereceria muito mais aplausos que
preconceitos, somos mais nordestinos que brasileiros ate porque nunca nos viram
como parte desta nação, ate os mais iletrados e ilustres de nos, gritaram o
mundo pelo nordeste independente.
Assim, que nos defendera arrogância
das elites? Daqueles de pele fina, de mãos sedosas e macias, seremos sempre nos,
um povo que mesmo em meio às lutas e escassez diária, ao recebermos a visita sempre
vamos colocar o melhor que temos na mesa e servi-los, nossa melhor tolha,
mataremos nossa melhor cria e os ofertamos como prova de bondade, nossa pele
queimada, não reflete o espirito bondoso e intocado das raízes de nossa gente.
Somos nordestinos sim,
queimados, trabalhados pela terra, valentes por natureza, honrados pelo suor do
nosso rosto, corajosos porque nascemos e vivemos da superação, para nos não existe
fé se não olharmos para céu azul e crendo que um dia ou a qualquer momento a
chuva ira chegar, e molhara nossas sementes para vendermos nossa colheita,
alimentando e vestindo nossos filhos, muitos daqueles que nos criticam, não sabem do que vivem,
mais nos sabemos o valor de cada bem que temos, assim entendemos que não foi
nos que escolhemos o nordeste, foi o nordeste que nos escolheu, e por misericórdia
de Deus nascemos e crescemos entre os mais honrados dos estados deste pais
chamado Brasil.
